Resenha: A Ordem Vermelha - Filhos da Degradação - Felipe Castilho

Olá, pessoas!

Hoje é dia de resenha de nacional ❤️

Título: A Ordem Vermelha - Filhos da Degradação
Autor: Felipe Castilho
Editora: Intrínseca

A Ordem Vermelha - Filhos da Degradação Felipe Castilho Resenha



Quis ler A Ordem Vermelha porque achei o máximo o boom que essa obra teve desde o lançamento, ainda mais sendo escrita por um brasileiro, por meio de uma editora imensa que é a Intrínseca e ligado diretamente ao maior evento de cultura pop atual (CCXP).

Na obra, conhecemos Untherak, último refúgio de sobreviventes, onde impera uma deusa de seis faces – Una, deusa imortal e soberana. Humanos, sinfos, kaorshs e outras criaturas coexistem num ambiente claustrofóbico, extremamente pobre e de profunda servidão à deusa, sem formas de se livrar da opressão. Culturas são dizimadas em prol de Una, abusos de autoridade são fatos do cotidiano e a sobrevivência da maioria é mais do que precária. Até que cinco personagens se unem, de lugares e histórias improváveis, para dar início a uma revolução.

Amei a construção do universo, rico em detalhes e nuances como toda fantasia épica deve ser. A construção dos personagens também é intensa, e há muita diversidade na obra – protagonistas homoafetivos, negros, presença feminina marcante... São detalhes muito bem escolhidos e que a diferem dos produtos padrões. Só aplaudo, porque achei tudo incrível.

Porém, tive algumas dificuldades na leitura. Muitas passagens me soaram lentas e sem propósito, e alguns diálogos me pareceram desnecessários, além de não críveis na cena que se desenrolava. O relacionamento entre os protagonistas me soou instantâneo demais, e muitos deles, que já eram adultos, tinham comportamento e fala infantis (isso me incomodou bastante). Não sei se é devido ao público-alvo da obra (talvez infanto-juvenil?), mas não consegui me conectar aos personagens justamente por estes pontos (com exceção da Raazi, achei ela e a Yanisha f*%$s). Senti, ao todo, que a obra tinha um potencial IMENSO, mas que, a meu humilde ver, não foi explorado.

Ainda assim, o pano de fundo de Untherak me conquistou. Vi tanta referências ao Brasil que fiquei encantada (capoeira, vida na favela, abuso de poder policial, corrupção etc.). Mais do que necessário, achei muito bom reconhecer que, além de uma fantasia épica, há em A Ordem Vermelha o retrato da nossa sociedade atual.

Ainda que com as reservas que fiz, indico com certeza a todos os amantes de fantasia e distopia. Precisamos prestigiar a produção da literatura fantástica nacional, gente! Torço para que se apaixonem pela degradação de Untherak, porque eu mesma, amei este universo.

Resenha: Flores Partidas - Karin Slaughter

Olá, pessoas!

Um hiatus considerável me afastou do blog, mas cá estou eu de novo, depois de dar tudo certo com o lançamento de Inversivo (graças a Deus 😃).

Hoje vim trazer a resenha de uma das minhas melhores leituras do ano!

Título: Flores Partidas
Autor: Karin Slaughter
Editora: HarperCollins Brasil
Ano da publicação: 2016


Comprei o livro por indicação de uma amiga, e decidi colocá-lo na lista da maratona que estou participando de Halloween. Em Flores Partidas, temos um thriller muito bem construído, em que conhecemos a ruína da família Carrol, destroçada pelo desaparecimento de Julia (a mais velha de 03 irmãs), enquanto ainda universitária.

Ninguém sabe para onde Julia foi. Não há evidências de sua morte, apenas se sabe que ela sumiu, e que isso arruinou sua família. As irmãs sobreviventes, Claire e Lydia, mal se falam. Os pais se separaram e Sam, patriarca da família, se suicidou pela dor de jamais resolver o mistério de Julia.

O livro começa, porém, com a morte de  Paul, marido de Claire (a mais nova das 03 Carrol), e com a descoberta bizarra que ela faz, ao acessar o computador de Paul.

A partir daí, os destinos de Lydia e Claire voltam a se entrelaçar, depois de anos separadas, e nós, leitores, somos apresentados a um thriller em que a face mais grotesca, pervertida e sanguinária da humanidade é mostrada.

A violência contra a mulher, nas suas mais incontáveis camadas, é retratada e denunciada na obra. Estupro, tortura, assédios sexual/moral/verbal mesclam-se a pitadas marcantes de gore e à delicadeza do sentimento humano - à depressão; à culpa; à frieza e ao choque da morte, esta em seu estado mais explícito e assustador possível.

Não entrarei em detalhes para não passar spoiler, mas Flores Partidas mexeu comigo. Não só pelas cenas gráficas, mas pela família arruinada que acabei me afeiçoando. Me doí pelas mulheres quebradas e pela reconstrução do que, antes, era uma família feliz.

Com personagens e cenas minuciosamente bem construídas, a leitura pode soar um pouco arrastada em alguns momentos, mas a grandeza da obra a supera.

Indico a leitores fãs de cenas gráficas, que buscam um thriller capaz de mexer com todos os seus sentimentos (do amor à aflição).

E você, já leu Flores Partidas?

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